Imagem capa - A fotografia e suas vertentes, inclusive a de arte por Dennis Calçada
Além de um clique

A fotografia e suas vertentes, inclusive a de arte

Muito mais que um elemento decorativo. Adquirir um elemento/objeto de arte – e neste caso agora falamos de fotografias Fine Art – se trata de um investimento. Sim, investimento em seu lar, naquele seu espaço preferido e principalmente em você.


Afinal, a fotografia escolhida certamente passa por uma destas questões a seguir que a fez decidir por ela: representa sua personalidade, mostra um pouco sobre você, ativa sentimento e emoções, faz refletir, traz lembranças de pessoas ou locais e por último, também decora o ambiente.


Para muitos, principalmente para quem gosta de fotografia e aprecia, mas não exerce o ofício em si, pode até parecer algo recente esta questão da fotografia ter status de arte, mas não é, e acredito “fora de foco” esta discussão sé é ou não é arte. Um exemplo simples e prático para entender melhor através da seguinte pergunta que faço. A câmara fotográfica não pode ser comparada como qualquer outro meio/instrumento,  pincel, carvão, espátula, lápis, cinzel...?






Você que está lendo este artigo agora, sabe escrever, como tantas outras pessoas, por exemplo, e nem por isso possui habilidade para escrever livros de poesias, histórias, contos e roteiros. Assim também é com a câmera fotográfica em saber dizer algo por intermédio da imagem, expressar uma ideia, criar uma identidade própria...


“Pois esse é o poder da câmera: apreender o familiar e dar-lhe novos significados, um significado especial pela marca de uma personalidade.” - Alfred Stieglitz


Neste assunto de afirmação da fotografia compreendida e aceita como arte devemos sempre lembrar do fotógrafo Alfred Stieglitz (1864-1946), que foi primordial e um dos precursores neste objetivo. Estamos de pelo menos 130 anos atrás, final do século XIX e início do XX.


A partir deste momento iniciava-se o movimento da fotografia moderna, ou seja, a ruptura com a então fotografia chamada pictórica. Como? No maior interesse pela composição, criando assim nova percepção do espaço e planos. Gosto pelo radical diálogos de luzes e sombras. Grafismos, efeitos criados pelo desfoque intencional ou do movimento da câmera, além de distorções óticas e exploração de texturas alinhadas no momento da ampliação. Ousadia e criatividades passaram a ser quesitos essenciais.






Fato esse, do movimento da fotografia moderna, que no Brasil começou a se dissipar a partir dos anos 20 quando começou a surgir os Foto Clubes - associações de pessoas com o intuito de promover o encontro, a discussão e a exposição de trabalhos fotográficos - por aqui. Primeiro em 1923 com o Foto Clube Brasileiro, com uma associação de fotógrafos no Rio de Janeiro.


E finalizo deixando claro que a intenção não é cravar que a fotografia só pode ser entendida como arte, mas também como arte. A fotografia em toda a trajetória foi sempre enquadrada e muito questionada sobre onde ela se encaixa, seja na realidade/ficção, veracidade/manipulação, construção de espaços/tempos instáveis, e/ou pelo lado político, estético, discursivo, social, científico, subjetivo...e tudo bem. A diversidade do olhar é fundamental para você – e a fotografia- obterem êxito.


Gosto do “enquadramento” dela como arte, apreciação do belo, do invisível mesmo estando visível para tantos olhares, busca pela espiritual e além do visível. Viva o imaginário.


“A natureza necessita da arte para sensibilizar o homem, para revitalizar sua afetividade, renovar seus estímulos emocionais”. Frans Krajcberg