Imagem capa - “As experiências de cada um contam realmente na hora de se traduzir e/ou criar uma imagem.” – Entrevista com o fotógrafo Adilson Félix por Dennis Calçada
Entrevistas

“As experiências de cada um contam realmente na hora de se traduzir e/ou criar uma imagem.” – Entrevista com o fotógrafo Adilson Félix

Ele já realizou coberturas fotográficas em Israel e na Palestina, de conflitos no Sudão, e da epidemia de AIDS em Uganda. Viveu por 18 anos em Paris e de lá colaborou com jornais e revistas aqui do Brasil e de outros países.


Também fotografou fatos e momentos importantes de nações como Quênia, Ruanda e Tanzânia. Em seu “menu” também conta a experiência de acompanhar viagens oficiais de presidentes da república, entre outros trabalhos realizados.


Com seu olhar atento e apurado já recebeu diversos prêmios: Prêmio Abril de Jornalismo – Destaque reportagem do ano para o Brasil feito no exterior (2004); Prêmio Editora Escala (Argentina, em 2008); Melhor reportagem fotográfica completa para a América do Sul no exterior; Primeiro colocado do Prêmio Nacional Poesia da Imagem (2010); Prêmio Top Vip Brasil Fotógrafo (2010 e 2011); Melhor retrato de personalidade do ano, eleito pelos leitores da revista Caras (2011).


Ótimos motivos para acompanharem a entrevista  com o fotógrafo Adílson Félix...


1- Como foi o seu primeiro contato com a fotografia?

Como muita gente acho que foram aquelas fotos antigas de família ou da história de outras fotos.


2- Quando decidiu que iria trabalhar com fotografia?

Veio com a vontade de registrar as coisas, de ter esse poder de congelar os instantes para sempre de uma forma bela e de traduzir minhas próprias opiniões e sentimentos através de imagens. Mas a decisão mais forte foi após ver um livro do Cartier Bresson. Tinha que fazer isso!


3- O que considera seu principal desafio ao fazer uma foto?

Reunir a técnica de captar ou criar a luz, com a composição ideal, passá-las em minhas próprias emoções e fixar em imagem o momento preciso de apertar o disparador. Tudo isso ao mesmo tempo e na maioria das vezes numa fração de segundos.


4- Você ficou 18 anos fora do Brasil e passou por diversas experiências como cobrir guerra no Oriente Médio, moda na Europa, Aids na África… Qual o principal aprendizado que tirou tanto pessoal quanto profissionalmente?

Gigantesco! Estar em contato com outras culturas em situações diversas, passar de um tema a outro, encontrar pessoas de vários universos e me recolocar com isso sempre em questão me ajudou muito na minha evolução como pessoa e profissionalmente. Foi um aprendizado incrível! A fotografia e as viagens me ajudam ainda na busca dessa evolução como pessoa e isso ajuda muito na minha forma de fotografar hoje.


5- Costuma-se dizer (e concordo) que o olhar fotográfico é muito particular de cada um e depende muito da cultura adquirida, entre outras questões. Então queria saber se concorda ou não e se existe muita diferença do olhar europeu para o nosso?

Certamente que concordo! Fotografamos antes de tudo com os livros que lemos, com os filmes que assistimos, etc, etc… As experiências de cada um contam realmente na hora de se traduzir e/ou criar uma imagem. Ela estará certamente carregada com todos esses sentimentos e aprendizados com essa bagagem pessoal. Em modo geral existe certa diferença sim entre o olhar brasileiro e europeu, pois sua bagagem cultural e sobretudo o meio em que vive vai influenciar no teu modo de ver as coisas. Mas o mundo também esta ficando cada dia mais próximo, principalmente no que diz respeito ao Brasil e Europa. Esse olhar se aproxima se você esta aberto a novos aprendizados e buscar sempre conhecimentos sobre outras culturas!


6- Muito se discute sobre tratamento de imagem. Fazer ou não fazer e qual seu limite? Como você analisa esta questão?

Primeiro tratamento é uma coisa e manipulação da imagem é outra. A fotografia é uma arte vasta e em arte acho que tudo é permitido. Depende da mensagem que você se propõe a passar. Eu particularmente me incomodo com a manipulação da imagem, não consigo. Preciso que ela esteja o mais próximo possível da realidade, mas isso é uma busca pessoal. É minha forma de fotografar. O photoshop pode ser utilizado da mesma forma que se usava o ampliador antigamente. É somente uma ferramenta com mais recursos. Se você quer ir além, você pode ir. Não pode haver pré-conceito!


7- Lá fora ou aqui no Brasil, onde é mais fácil trabalhar com fotografia e por quê?

Se você fala de viver dignamente de fotografia, acredito que na Europa seja ainda hoje mais fácil pelo respeito maior com os profissionais e pela postura deles também ao mercado. Mas há também uma concorrência grande em cidades como Paris, Londres, New York ou Tóquio, pois você quase tropeça em bons fotógrafos de vários horizontes. Lá como aqui, quem tem mais experiência e talento acaba se sobressaindo.


8 – Deixe uma mensagem para nossos leitores e também aos iniciantes e amantes da fotografia.

Simplesmente que busquem seus sonhos, que busquem se aprimorar, conhecer, estudar e fotografar muito. A evolução na fotografia se faz com aprendizado e muita prática.