Imagem capa - “Fotografo em cores porque sonho colorido.“ – Entrevista com Izan Petterle por Dennis Calçada
Entrevistas

“Fotografo em cores porque sonho colorido.“ – Entrevista com Izan Petterle

Para ele o trabalho tem que ter o sentido de uma jornada especial. Seu olhar romântico e poético nas imagens é marcante, assim como a forte presença das cores. Afinal, fotografa assim por que sonha colorido. Já recebeu quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo e dois da Best Edit, este concedido pela National Geographic dos Estados Unidos para o melhor ensaio fotográfico produzido para as edições internacionais...com vocês Izan Petterle!


1- Você é fotógrafo desde 1975. Naquela época como surgiu o gosto pela fotografia e a decisão que este era o caminho que iria seguir?

 No final de 1974, morando em Porto Alegre, passei no vestibular para Medicina Veterinária na UFRGS. Meu avô, Rivadávia Joaquim Rodrigues, fazendeiro em Alegrete, muito feliz pela conquista, deu-me de presente uma quantia para comprar um Fusca zero km. Para surpresa da família comprei meu primeiro equipamento: uma Pentax Spotmatic F, lentes 28mm, 50mm e 200mm.

2- Você  já viveu  e presenciou  as várias fases que a fotografia passou durante este período. Qual sua opinião sobre o atual momento?

Excelente, devido às tecnologias digitais e o desenvolvimento das novas mídias e redes sociais com base na web. Apresentou-se um novo mundo a ser explorado.


3- Como  surgiu a oportunidade e como é ser colaborador em uma marca/empresa reconhecida pela sua qualidade e importância como a revista National Geographic Brasil?

Foi por meio de um projeto documental intitulado “Cavaleiros e Amazonas do Brasil”, que fiz por conta própria durante quatro anos, e que apresentei para a NG no início da implantação da revista no país. É muito bom ter a chance de colocar em prática todo um aprendizado fotográfico que tive para um cliente como a NG Brasil. É sempre um desafio onde procuro sempre encontrar um caminho criativo e poético sem perder a noção documental para a pauta proposta.


4- O que você considera uma boa fotografia e por quê?

Para mim, uma grande foto tem no mínimo três qualidades: ela tem que ser misteriosa, enigmática e romântica...


5- Sabemos que dominar a técnica é importante, mas podemos afirmar que em fotografia sensibilidade e olhar aguçados são a “alma do negócio”?

É um equilíbrio entre essas coisas todas.  Dedico uma especial atenção aos aspectos técnicos da fotografia. Muitas vezes temos boa sensibilidade e olhar aguçado e muitas vezes as imagens não saem como imaginamos...


6- Recentemente fez mais um ótimo trabalho fotografando as festas juninas em São Luís do Maranhão. Fale um pouco de como foi mais esta experiência na carreira, já que se trata de um local rico e diversificado culturalmente falando.

Esse trabalho foi feito de uma maneira inesperada depois de uma longa viagem pela NG que terminou em São Luís. Na véspera do início das festas juninas decidi ficar na cidade para fotografar esses ricos eventos culturais. Foi muito produtivo. Em poucos dias consegui produzir um material que me deixou muito satisfeito.


7- Ainda em cima da cultura, uma ou a principal caraterística das suas fotografias é retratar as raízes brasileiras. Tem um motivo específico? E a presença marcante das cores?

Penso que os trabalhos mais legais sejam aqueles que tenham o sentido de uma jornada pessoal. Na verdade fotografo mais o que está dentro de mim, a busca das minhas raízes culturais, do que aquelas coisas que estão fora. Fotografo em cores porque sonho colorido.


8- Falando em experiência, cada trabalho tem um objetivo, uma história diferente para ser contada e um olhar diferenciado...por isso a fotografia também é apaixonante?

Vou citar o Ansel Adams que diz: “Algumas pessoas ganham a vida com fotografia, para outras a fotografia lhes dá a vida...”


9 - Podemos perceber na maioria dos seus trabalhos (retratos, gaúchos, cowboys do Pantanal, para citar alguns...) a presença de pessoas. Como funciona esta aproximação? Acha isso fundamental ou depende de cada caso?

Para fotografar pessoas tem-se, óbvio, que gostar de gente. sou do interior do país, aprendi desde criança a respeitar e demonstrar respeito em relação a outras pessoas, ser educado, dar bom dia , boa tarde, pedir licença, apresentar-me, perguntar se posso fazer minhas fotos e por aí afora...Gosto de deixar as pessoas muito à vontade comigo, evito ao máximo interferir em uma cena. É preciso deixar a vida acontecer, dessa maneira as imagens aparecem...


10- Como o fotógrafo identifica que “descobriu” o tema que irá seguir e se especializar?

O dia que ele descobrir  isso não terá mais dúvida, é uma decisão muito pessoal essa.


11- Tem algum fotógrafo que você se inspirou ou se inspira até hoje e por quê?

Manoel Alvarez Bravo, Walker Evans e Bill Brandt. O motivo é por eles desenvolverem uma fotografia documental que tem uma abordagem surrealista.


12- Deixe uma mensagem para os internautas e para quem deseja seguir nesta carreira de fotógrafo.

Novamente  o Ansel Adams que diz: “Algumas pessoas ganham a vida com fotografia, para outras a fotografia lhes dá a vida...”