Morada interior

Alaya

“Dennis, apesar do pouco tempo na fotografia autoral, já tem a consciência da linguagem que escolheu, já sabe o que quer fazer e o que dizer com a fotografia. Não se deixa mais engolir por essa enxurrada de banalidades, por essa necessidade moderna de parecer brilhante e original em pouco tempo. E isso é muito promissor. Dennis vai investigando sem pressa, castigando os olhos nas formas, linhas e volumes do grandioso mundo deste jardim planetário.


A maioria dos aprendizes se perde no emaranhado de obstáculos que a fotografia de natureza impõe: falta de mercado, carência de ensino profissional, equipamentos e viagens dispendiosas, condições adversas, e, principalmente, a falta da impulsão criativa que nos leva a perseverar. Neste gênero da fotografia é preciso descondicionar o olhar, transver a realidade, buscar a quintessência.


Com este seu Alaya, Dennis revela o espírito criador que habita a floresta intocada, a beleza do sagrado nas pequenas coisas, o brilho da luz que conversa com as formas da mata escura. Ele escolheu um caminho difícil para o seu primeiro ensaio, fotografar a floresta em preto e branco.  A profusão de cores que ela reverbera quase exige a fotografia colorida, mas Dennis seguiu o caminho contrário e nos surpreende com imagens de forte impacto visual, como se a floresta fosse iluminada contra um grande “cosmo” negro ou um fundo estático de estúdio ou de teatro. 


Ele nos transporta para o terreno da magia com uma composição original e criativa. Seu trabalho nos demonstra, sem sombra de dúvida, que temos um novo fotógrafo na cena. Um fotógrafo que faz poemas visuais, um poeta que veio para frutificar.


Bem-vindo, Dennis, ao mundo dos que transformam o banal em invenção." Araquém Alcântara